14/04/2009

O aMar mata.

O amor mais lindo que tive na minha vida foi semelhante a uma entrada no mar, primeiro com a ponta do pé, desconfiada a medir temperatura e vontade de dar e de receber, depois, com os braços em volta do peito, tremendo com o choque de uma nova realidade, tentando inconscientemente protejer o coração deixei a água invadir-me até às coxas, com os sentidos despertos e as massagens ondulantes tão perto do meu desejo de entrar mais, acedi e mergulhei, entreguei-me no corpo da água que me envolveu em profundidade na qual rapidamente perdi o pé. Por momentos, nadámos juntos, em sintonia, eu e o mar, mas uma e outra onda teimaram em quebrar o ritmo das minhas braçadas, da minha respiração enquanto me tentava manter à tona e, embora tentasse lutar contra a tranquilidade antes conseguida na qual boiara, as chapadas de água eram muito musculadas para mim, com a mesma dificuldade com que entrara, enfrentava agora a tormenta de sair.
Tentei em vão respirar, ou pelo menos o que agora respirava era contrário ao que precisava para viver.
Afogaste-me, mar.

12/04/2009

Não há dia que não me arrependa ter trocado a minha cauda por umas pernas, era tudo mais fácil quando estava entre os meus pensamentos, enquanto desejava e imaginava sem saber que a realidade nunca é tão bela. Pensando nisso, entendo agora que por muito que se tenha uma vida maravilhosa o nosso sonho está sempre um passo, não, mil passos adiante. Nunca o homem pensou que a Lua fosse tão inóspita, no mínimo seria feita de queijo, diziam, mas, tal como o amor que fantasiava ser doce e quente se revelou amargo como um pirolito salgado tomado após um mergulho numa onda traiçoeira. Este é o meu mundo, o meu oceano pessoal formado por lágrimas que durante noites e noites quedaram sem parar. Bem vindos.